
O atual estágio do conhecimento científico relativo ao universo, e devido ao seu tamanho tão imenso, impossibilita o cálculo de sua dimensão, pois ainda não se sabe ao certo os seus limites. Do que se tem apropriação até o momento é que o Universo subdivide-se em aglomerado de galáxias, que se subdivide em grupo de galáxias, que se subdivide em galáxias, que se subdivide em sistemas solares, que contém corpos celestes (como estrela, planetas, asteróides...).
Dentre os planetas, existe o planeta Terra, que é composto por Natureza Vegetal e Natureza Animal (humanos e animais). A humanidade, um paradoxo, devido ás descobertas, invenções, raciocínios, colocam-se como transcendentes ao meio em que sobrevive (vive sobre o meio). Eu disse paradoxo, por que o homem com sua discrepância coloca-se como um animal racional, sentimental, sendo isto o que os difere dos demais animais. No entanto, este mesmo homem diante da plenitude do universo coloca-se no centro como um referencial de vida, onde considera-se como os únicos a povoarem (além dos animais irracionais) toda essa extensão, sem pensar que não passa de uma pequena e fugaz partícula que compõem o mesmo. E eu disse vive sobre o meio já que o homem (animal racional, sentimental, inteligente) usufrui dos demais grupos (vegetal e animal irracional) vetando na maioria das vezes sua vida natural.
Em relação à Natureza Vegetal sabemos que esta não possui sistema nervoso como nos demais animais (racionais e irracionais), portanto não pensam e não sentem. Já os animais irracionais possuem além do sistema nervoso, partes significativas do DNA igual e em alguns casos quase parecidos com o do homem, o que os fazem seres semelhantes. Ambos possuem SIM sentimentos e inteligência, mas o homem ainda assim coloca-se em um pedestal quanto ao termo inteligência, enumera-se aqui diversas obras, descobertas, invenções, construções...Completando o termo paradoxo já citado, o homem não deixa de ser talvez o menos inteligente também, já que destrói a própria natureza para "sobre-viver" ao invés de viver com a natureza, enumera-se aqui aquecimento global, destruição da flora e fauna, racionamento de energia e de água...
É nítido o fato de que para haver uma vida com qualidade e inclusive é questão de sobrevivência que haja um equilíbrio entre as 3 esferas: animal, humanidade e natureza, “somos todos parte de uma coisa só! O contraste de nossas descobertas e inteligência com a nossa ignorância em relação à Natureza é brutal” diz Daniele Suzuki. O homem aproveita-se de sua condição para se sobressair aos demais utilizando-se de sua força e da dita inteligência, desmatando sem limites a natureza e matando sem piedade os animais.
Diante desse panorama existe o condicionamento histórico e cultural, onde coloca o homem diante de uma esfera de conceitos que acabam integrando seus valores e direcionado suas atitudes, Sartre chamaria isso de facticidade, nascemos em um lugar, em uma cultura, que não escolhemos, porém escolhemos permanecer nela ou não. Crescemos e vivemos em uma cultura e em um período histórico onde se alimentar de animais é oficio, cria-se então diversos mitos acerca dessa idéia tão fugaz, onde grande parte da humanidade está condicionada a acreditar, seja lá pela religião, pela mídia, pelo que for, que os animais nasceram para tal propósito, alimentar os humanos, o grandes, os inteligentes (e isso não tem nada a ver com a existência ou não de um Deus). Se matamos uns, por que gostamos tanto de outros? Ama-se um gato, um cachorro, um passarinho, mas mata-se um boi, um porco, um peixe. A que chamar isso se não de meros valores e costumes culturais transmitidos de geração em geração? Se um homem nascesse isento dos valores da sociedade moderna ele mataria outro animal a não ser por pura sobrevivência? Ele se consideraria superior a toda a natureza?
Essa reflexão mostra o quão estamos cercado de valores vetados aos quais nos prendemos e conseqüentemente nos tornamos alienados, alienados SIM, por que usamos desses artifícios para justificar nossas ações.“Comemos carne por que precisamos sobreviver", "toda nossa história foi assim", "nosso organismo se tornará deficiente diante da falta de proteínas animais", "os animais foram feitos pra isso", "já me acostumei agora não tem como parar”. A lei natural é sim comer por sobrevivência como os leões comem suas presas. Mas nós, seres de uma "certa inteligência", temos outras opções. Podemos escolher, até por nós mesmos, uma alimentação melhor, mais saudável(Daniele Suzuki), mas o homem insiste em usar das velhas âncoras herdadas.
“É fácil criticarmos os preconceitos de nossos avós, dos quais os nossos pais se libertaram. Mais difícil é nos distanciarmos de nossas próprias crenças, de modo que possamos identificar imparcialmente os preconceitos dentre as crenças e valores que adotamos” (Peter Singer).
“Os animais do mundo existem por suas próprias razões. Eles não foram feitos para o uso dos humanos, da mesma forma que os negros não foram feitos para o uso dos brancos e nem as mulheres foram feitas para o uso dos homens” (Alice Walker).
(Autor Universo Paralelo)




